Acordei, cheio de arrepios, pertubado pela brisa que me tocava com frieza.Fiquei espantado por não ser acordado, como sempre, por as tuas palavras doces e suaves caricias...Senti logo a ausencia de algo.Uma falta de calor imensa...Não sentia o teu corpo contra o meu, aquecendo-se contra o frio do Inverno, numa harmonia perfeita.Não me abraçavas nem sequer me tocavas.era deveras bizarro...Rodei a cabeça e constatei, abruptamente, lençois virados...Nao nao podia ser verdade...Percibi com a rapidez de um relâmpago.Como foras capaz de me abandonar assim??? Levantei-me da cama abandonada constrangido pela dor e pelo frio.A cama inerte, estava vazia, abandonada com lençois virados pela pressa.Um calafrio percorreu me a espinha.Isto nao podia ser verdade.Embora eu preferisse que isto não passasse de um pesadelo o mais profundo do meu amago gritava que isto era real.Fui inundado por uma dor agonizante, uma dor que me trespassava e me mutilava silenciosamente.Tapei a cara com as maos e a imagem da tua pose delicada surgiu imediatamente.Não havia esplicação possivel.Tu partiras sem me avisar.Fugiras, como um rola que deixa o ninho sem remorsos.Dexi as escadas e fui para a sala ainda confuso e inundado por uma dor imparavel.Ancendi a fogueira com dois troncos e pinhas metodicamente, sem perturbar o seguimento veloz da minha mente.Então, recordei com amargura e melancolia, todos os momentos que prenchiam a minha vida de felicidade.O nosso primeiro beijo...a nossa casa...as nossas danças...o teu corpo afrodisiaco...os teus cabelos fulvos ao sol...os teus labios, bem desenhados e coloridos por Venus, a colarem-se aos meus...Arrastei os olhos pelo o chão pensativo...Não havia explicação possivel para o que se estava a passar...Eu pensava que o teu amor por mim era tao puro como a minha adoraçao pela tua alma e corpo.Tinhas-me deixado para o sempre e ao perder algo de tao precioso, mais precioso que a vida, algo de tao puro e belo nada podia haver a não ser um fardo pesado, a dor de uma alma vazia e um coração partido.O sangue que corria pelas minhas veias ja nao tinha calor...Levantei a cabeça e observei a lareira a arder enquanto te revia em memorias doces e ternurentas que nunca se iriam repetir.Não havia nada pior neste mundo que conhecer a felicidade, pura extasiante e verdadeira, para depois perde-la assim de repente sem aviso, sem preparaçao.Era tao duro que algo como o que eu sentia por ti fosse apagado e susbtituido por uma magoa tao terrivel, tão tantalica, a dor de um vazio inpreenchivel...Apesar de toda a dor,não chorei,a minha dor nao tranbordou e nao irrompi em lagrimas.A minha dor nao diminui,nao se esquecia.Era uma dor torturante que não me deixava pensar em mais nada para alem da terrivel perda.Observei o fogo que ardia,como sempre ardera,impassivo,insensivel a minha tristeza.
O fogo da minha lareira era fascinante.Ele crepitava e projectava fagulhas enquanto consomia tudo.Parecia que as faiscas devoravam tudo,a madeira,as memorias,e a dor...e nada mais ficava depois de aquela agonia do calor das chamas,so cinzas; pó para o vento levar.Continuei a olhar o fogo pensativamente.A minha vida ja não fazia sentido. Respirar não tinha significado. Para que viver uma vida de dor?
A chama ia consumindo a lenha numa lenta e calorosa combustao, devastava a vida com naturalidade cruel.Levantei-me e uma lagrima rolou pela minha face.Mais uns momentos e até dor seria cinza...